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Somente Folhas

Frondosa e bela, lá estava a figueira,
Atraindo, desafiando os transeuntes,
Os passarinhos, os colibris, as borboletas.
Folhas verdes, perfumadas, atraentes,
Dando sombra e refrigério.

Não era tempo de frutos,
A abundância das folhas, porém,
Era um desafio aos que passavam.
A longa caminhada, a fome, e o desejo,
Eram motivos suficientes
Para que todos parassem à sombra
Da figueira infrutífera.

E um dia Jesus também passou
Cansado e faminto, e, entre as folhas,
Procurou o doce fruto.
Mas, decepcionado e triste nada encontrou,
E, levantando a voz, amaldiçoou a figueira.
Porque ao Mestre não foi dado o prazer de colher
O fruto sazonado quando ali passou?

Saibam todos que Ele se alimenta dos doces frutos
Que o Santo Espírito produz em nosso espírito.
Amor, alegria, paz, longanimidade,
Fé, mansidão, benignidade,
Temperança e bondade satisfazem ao Senhor,
A tempo e fora de tempo.
Na tempestade, ou quando o sol brilhar,
Que haja frutos em nós quando o Senhor passar.

Esperança

 

O azeite é tão pouco...
A farinha certamente não poderá suprir
Um dia, ou dois talvez a minha mesa.
Não vejo, não pressinto.
Um pequeno sinal de esperança...
A noite já chegou,
E, a brisa doce e mansa.
Repete, não! Aos meus ouvidos
Foi assim...
Até que Ele chegou
E eu lhe entreguei tudo o que restava
Assei o pão,
Servi e esperei, confiante e comovida.
E ele me envolveu de graça e vida
A farinha não acabou
O azeite não faltou
E a minh’alma vazia e triste
Ressuscitou alegremente
Para cear com Ele, eternamente.

 

 

 

FRAGMENTOS

Às vezes uma lágrima na face do ancião.
Às vezes só tristeza estampada no rosto... Um profundo desgosto.
Outras vezes lamento dor e aflição.
Meninos soltos pela vida afora, mulheres de ninguém.
Lábios cerrados, olhos tristes, semblantes carregados.
Saudade, fuga, indefinição, lixo, morte, prostituição.

Mas, quantas vezes flores ao longo do caminho, sorrisos e canções.
Tantas vezes a brisa sussurrando leve, alegrando os corações.
O dia é bem maior e mais forte que a noite, o sol é mais brilhante.
A vida tem segredos que sufocam a morte.
O amor é mais profundo do que o ódio.
A alegria destrói a tristeza e o lamento.

É bem melhor sonhar do que perder o tempo.
Quando a estrada é longa há tempo para pensar,
Enquanto a chuva cai podemos planejar,
Marcar até um encontro com a felicidade.
As aves quando voam proclamam liberdade.

Há pedras nos caminhos,  mas há estrelas no céu.
Depois da tempestade há o sorriso do sol, o colorido é maior.
O perfume do ar é mais ameno,
É preciso sentir a maciez do sereno, e ver a madrugada.

Nem sempre uma lágrima é sinal de tristeza,
Às vezes é pérola a rolar, com tamanha beleza, em preciosos momentos,
Que nos faz perceber que o bem maior nem sempre é o todo, mas os fragmentos. 
Por isso eu peço a Deus que não me deixe ser fria e indiferente
Às pequeninas coisas deste grande universo,

Mas que eu possa olhar atentamente para o orvalho na flor, o colibri, o lírio.
Que escutando a canção eu perceba o estribilho.
Olhando o infinito veja a estrela brilhante.
Olhando o imenso mar, sinta o abraço das ondas.
Em meio à multidão encontre alguém que eu ame.

      

 

 

O VASO DE ALABASTRO

Mateus 26:6-13

Estavam todos na casa de Simão, Jesus e os seus discípulos.
E Maria aproximou-se d'Ele.
Seu coração batia aceleradamente.
Ela O amava e queria demonstrar a todos o fervor
Da sua alma pelo seu Senhor.
Era preciso quebrar o precioso vaso,
Como se fora a sua própria vida,

Aos pés do Salvador.
Este homem chamado Jesus
Que assusta as multidões,
Com Seus milagres, e as Suas ações
Misturadas de amor e autoridade.
Este homem singular que ressuscita mortos
E faz deter o vento e a tempestade.

Ela queria quebrar o precioso vaso
E derramar o ungüento sobre os Seus cabelos.
E assim o fez, causando um grande espanto,
Aos homens que o seguiam,  mas não sabiam que o
Seu valor excedia aos mais caros ungüentos.
E entre protestos e lamentos criticaram a mulher.

Por que tanto desperdício?
Este ungüento poderia ser vendido em benefício dos pobres.
Mas Jesus lhes falou:
Por que afligis assim essa mulher?
Pois ela praticou para comigo uma boa ação
     Derramou com o perfume precioso

A sua alma e o seu coração.
Preparando o meu corpo para a sepultura,
Por esta causa a geração futura
Saberá do seu gesto
Não há motivo, pois para tanto protesto.
Pois os pobres sempre os tereis à vossa porta,

Eu porém vos deixarei em pouco tempo.
Esta mulher me ungiu para o meu sepultamento
E eu vos digo também
Onde se ouvir falar deste evangelho de amor,
Ela será lembrada pelo que fez ungindo o seu Senhor.

O vaso quebrado a meus pés
Bem pode ser a vida
E o perfume exalado é o amor,
De um coração que pode crer
E aceitar Jesus como Senhor.
O perfume se fez sentir por toda parte, mas o vaso foi quebrado.

Jesus aceitou a preciosa oferenda
Das mãos trêmulas de Maria
E deixou-se envolver pelo ungüento perfumado, um gesto que aos               discípulos pareceu tresloucado,
Foi expressão de amor para o Senhor Jesus.
Os povos saberão que um vaso foi quebrado
     Antes que o Ungido de Deus padecesse na Cruz.

 

A Fé

É o firme fundamento das coisas que se esperam,
E a prova das coisas encobertas.
Pode ser do tamanho de um grão de mostarda.
Por ela podemos entender a maravilha da criação
E aceitar que existe um Deus Todo-Poderoso,

Capaz de criar o homem à Sua imagem e semelhança.
Por ela podemos trazer à luz as coisas que não existem.
Podemos esperar sem medo, o amanhã.
A fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus,
E nos faz sentir a paz em meio à tempestade.

A fé é a arma disponível àqueles que sofrem,
Aos que amam aos que esperam a total transformação
Deste mundo submerso no pecado.
Pela fé combatemos o mal,
Anunciamos o bem,
E aguardamos a chegada do Rei
Que assumirá o domínio desta terra.

Pela fé, já estamos assentados à mesa do banquete.
Nas bodas do cordeiro.
Pela fé desfrutamos da paz
E do amor nas regiões celestiais.
Dormimos sem temor por que
Cremos na proteção do Onipotente.

Saltamos as muralhas,
Destruímos os exércitos do mal
E desfraldamos a bandeira da vitória.
Pela fé chegamos à cruz
E vimos a nossa culpa debaixo do sangue carmesim.
É o escudo da fé que nos livra
Dos dardos inflamados do maligno.

A fé é a nossa bússola,
Pois pretendemos chegar ao santíssimo lugar
Onde a glória de Deus é permanente.
Onde não há dor, nem pranto, nem gemido algum.

Pela fé conquistaremos a terra prometida
E estaremos para sempre com o Autor da Vida.
Pela fé aceitamos o Cristo ressurreto,
Contemplamos e esplendor da sua glória.
Pois Ele, o Criador fez brotar em nós
A fagulha da fé que nos garante a vitória.

 

Que Homem é Este

De olhar sereno e profundo,
Porque veio Ele ao mundo?
Quem é Ele afinal?
De mãos calejadas, pés ensangüentados,
Caminhando seguro entre as multidões.
Que homem é este?
Que multiplica peixes e pães
E acalenta ao colo os pequeninos.

Dá ordem ao vento e acalma a tempestade,
Cura os enfermos e dá vida aos mortos,
Proclama aos cativos liberdade,
Apregoa o dia da vingança,
E consola os tristes.
Prega boas novas aos mansos,
E restaura os contritos de coração.

Saduceus e fariseus combateram seus feitos,
Mas, Ele continua pregando à multidão.
Que homem é este?
Que pode caminhar tranqüilo sobre as ondas
Que até pode dormir em meio a tempestade
Mas também sabe chorar com os que choram.

Que homem é este?
Que recebeu maldição daqueles que amparou;
Aqueles que curou o desampararam.
Os mesmos que o aclamaram desejaram-Lhe a Cruz.
Que homem é este, senão Jesus,
O filho de Maria e de José,
O meigo nazareno.
Ele é quem enxuga as minhas lágrimas
E me faz crer na Terra Prometida.
E ainda continua dando vida,
Curando as multidões.

Este homem é Jesus,
O Alfa e o Ômega,
O princípio e o fim,
O Santo de Israel que andou fazendo o bem
E um dia há de voltar glorioso e forte.
Ele, o que venceu o inferno e a morte
Com olhar sereno e profundo,
Ele é o meu rei, o Salvador do Mundo.

A vida

A vida, às vezes é como a explosão de fogos coloridos, 
Chama a atenção, distrai, assusta e se apaga escorrendo no ar.
Às vezes, é como um pesadelo,
Sem cor, sem brilho, sufocante, interminável.
Às vezes, é como a flor, embeleza, perfuma
E se deixa murchar sem um gesto sequer de revolta ou lamento.

É também muitas vezes como o sol,
Como o canto das aves, como a voz das cascatas.
É sorriso, é soluço, é pranto inesgotável.
É calor, é fumaça, é brisa sussurrante.

A vida é como a erva que viceja, cresce e à tarde seca e se esvai.
É como o orvalho nas pétalas da açucena. É vento sobre as ondas.
É lágrima a escorrer na face do ancião.

A vida é o gargalhar irônico de quem foi sujeitado.
É soluço abafado de quem nunca pôde amar.
É um grito, é um apelo. É como a onda do mar,
Às vezes, suave e mansa outras vezes, impetuosa e má.

Assim é a vida desarraigada da Videira Verdadeira, o Senhor Jesus.
Mas, quem está n’Ele é sempre luz,
Sonha, sorri e continua a subir nas asas da alvorada,
Na constante esperança de encontrar o sol
De ver cada manhã botões se abrindo, rostos rosados e felizes
De crianças sorrindo.
É poder divisar além do horizonte o grande dia da Paz.
Quem está n’Ele não se afunda na lama,
Continua a lutar, a confiar e crer.
Quem está n’Ele é capaz de amar, de sorrir e entender.
O sofrimento, a dor, o lamento de alguém.
Quem está n’Ele acredita no amor, na esperança
E tem fé, que um dia será como Ele é.

Os Lírios do Campo

Não trabalham, nem fiam,
E crescem cheios de vida e de beleza.
Nem Salomão em toda a sua glória
No esplendor de tamanha riqueza
Pôde se vestir como um deles.
Deus favorece e embeleza a natureza
Vede as aves nos céus como são livres.
E, todas as manhãs entoam lindas canções ao Criador.

Não somente os lírios do campo,
E as aves dos céus,
Mas, as montanhas também
São acariciadas pelo sopro de Deus.

As cachoeiras se debruçam sobre as pedras
Estrondosamente belas.
Os rios murmuram suaves canções de amor
Tão graciosas e singelas
E à margem dos riachos crescem flores
Brancas; vermelhas e amarelas.

O céu azul desafia o nosso olhar,
A brisa mansa acaricia as flores.
Os colibris as beijam com emoção.
Na profundeza dos mares há vozes
De louvor e exaltação

Os céus manifestam a glória de Deus
As coisas visíveis e invisíveis O glorificam.
E, olhando para os lírios do campo
Eu comecei a pensar na pureza, na beleza,
Na suave textura,
E fiz lucubrações além do que é matéria.
E vi o reino de paz e de prazer,
Em cada coração, a alvura do lírio,
Nos olhos a beleza e os reflexos do sol,
Faces rosadas, lábios vermelhos,
E um suave perfume derramado.

Porque Jesus teria falado com emoção?
“Olhai os lírios do campo,”
Simples, suaves, belos.
Considerai como são sensíveis
E suavemente perfumados.
Recebem de Deus o sustento, o vigor e a beleza.

Podemos ser assim dependentes de Deus.
Confiar que d’Ele vem à pureza que aspiramos.
A beleza espiritual que desejamos,
O perfume suave que ansiamos.
D’Ele vem a graça e a vida
Vem a paz e a alegria.
Eu quero ser como os lírios do campo,
Acariciada pelo sopro de Deus.

      Esmeralda Campelo

Cântico da Natureza

As estrelas se alegram e cantam.
A luz se espalha sobre os montes e campinas,
E o vento oriental caminha veloz por toda a terra.
Os raios cortam o espaço em lampejos,
E as nuvens cheias se abrem sobre a serra.
Ninguém sabe, porém onde é a morada da luz,
Ninguém pode contar os raios nem os grãos de areia.
De onde vem a chuva, a neve, e os trovões?
Quem poderá reprimir a tempestade?
Quem sustenta os astros no infinito azul?
Por isso os céus manifestam a glória de Deus,
E o firmamento anuncia a obra de Suas mãos.
Sem linguagem, sem fala,
O sol, a lua e as estrelas luzentes louvam a Deus.
Os céus dos céus e as águas que estão sobre os céus,
O fogo, a saraiva, a neve e os vapores
Elevam aos céus os seus louvores.
Montes e outeiros, feras do campo, e aves voadoras,
Exultam e cantam ao Senhor dos céus.
Os reis da terra, os povos e as nações,
Mancebos e donzelas cantam lindas canções louvando ao Criador.
É impossível passar indiferente e mudo,
Sem perceber a beleza que há em tudo que foi criado por Deus.
Sem ver as flores, ouvir a voz do vento,
Sem sentir a brisa a suavizar o rosto,
Sem conhecer o murmúrio doce dos regatos,
Nem o estrondo harmonioso de uma cachoeira.
E enquanto as aves voam pelo espaço azul
A natureza inteira, numa doce harmonia,
Exalta o Criador dia após dia, com tamanha beleza,
Que nos faz meditar e perceber o mais belo cântico de exaltação a Deus,
O da Natureza!              
BH 22/07/97
Esmeralda Campelo Vilela

MEU SONHO

Durante toda vida tenho sonhado,
Com um mundo colorido e belo.
Onde o amor esteja no comando,
Onde as lágrimas sejam apenas gotas brilhantes,
Reflexos da alegria.
Onde as crianças possam sorrir, cantar,
Olhando a lua ou até o sol ao meio dia.
Onde os velhos possam falar, aconselhar, sorrir
E até chorar com saudade do amor primaveril.

Onde os jovens tenham liberdade de sonhar
E proclamar aos quatro cantos da terra seus projetos de vida.
Onde negros, brancos, amarelos e de pele bronzeada,
Possam caminhar no mesmo chão ou na mesma calçada,
Sem sustos, sem tensões e sem confrontos.

Tenho sonhado até...
Com um grande jardim
Onde as hortênsias azuis possam
Dizer às violetas que elas são lindas.
Onde as rosas cor de pêssego
Tomem emprestado o perfume das camélias.

Tenho sonhado com a igualdade, a bondade, a compreensão, o carinho
Distribuídos em porções gigantescas,
Em todos os lugares.
Às vezes chego a sonhar que o céu desceu a terra,
E os homens se misturaram com os anjos
E se tornaram dóceis.

Quando acordo, os olhos ficam molhados outra vez,
E as lágrimas da dor escorrem pelas faces.
A fome continua matando.
A maldade, a soberba e a inveja,

Desafiam e confundem os meus sonhos.
Nas ruas tropeço outra vez com o mendigo, o viciado e a prostituta.
Vejo a policia espancando o ladrão, o pobre, o culpado e o inocente.
Vejo as igrejas suntuosas, imponentes desafiando a miséria.

Escuto a pregação e não entendo,
Porque ela se dilui no espaço e no tempo,
Através das ondas sonoras.

Continuo sonhando...
Com um mundo colorido,
Com rostinhos alegres, com crianças felizes,
Por isso procuro fazer o bem enquanto tenho tempo,
Porque a noite vem quando ninguém
Poderá mais trabalhar,
Nem amar, nem repartir e nem mesmo sonhar.

Esmeralda Campelo Vilela
B.Hte, 23/04/97

 

 

VITÓRIA

Às vezes penso que perdi
Mas, quando o sol aparece imponente
As nuvens se afastam
E, arrastam a poeira do tempo
E, eu entendo que venci.

A lágrima que escorria pela face
Transformou-se em brilhante
O paraíso não está distante
A paz chega sempre com a brisa
E acalenta as flores,
Beija a montanha,
E assopra suave sobre a fonte.

Às vezes, penso que perdi.
Mas olhando para o azul distante
Que se mistura com o passado
Vejo a sombra de uma cruz
E, entendo que venci
Nos braços estendidos de Jesus  

Esmeralda Campelo  Vilela1>

BH 24/11/20052>

 

Plenitude

Jesus me disse certa vez: Eu te amo!
Eu te amo tanto que morri na cruz em teu lugar
E eu chorei e, compreendi pela fé, o Incompreensível.
Alimentei minh’alma desse amor
Nutri meu coração dessa doce ternura
E, atingi pela fé o Inatingível.

No decorrer da vida, em meio ao vendaval.
Ajoelhei-me a seus pés
Suplicando misericórdia e graça
Ele supriu de amor a minha vida
E eu pude definir pela fé, o Indefinível.

E, agora que ele derramou sobre mim.
Uma fonte de águas cristalinas
Inundou o meu ser,
Fez transbordar minh’alma
Eu entendi pela fé, a plenitude do Seu Espírito.

 

O Velho Chico

Água que desce da serra da canastra
E como sangue se alastra
Nas veias da mãe terra
Das cabeceiras ate Pirapora
O rio canta e chora
E o clamor se ouve da serra.
Do sudeste ao centro-oeste
Desce o velho Chico
E sobre ele as canoas
Ate a divisa de Sergipe e Alagoas
As águas correm noite e dia
Espalhando as margens a alegria
O vigor e a vida
Que pela falta de amor
Tem sido destruída
Há um grito de guerra
Um clamor de agonia
Para salvar a terra
Que sucumbe a cada dia.
E, das Minas Gerais,
Da Represa Sobradinho
Desce a água com carinho
Como o pulmão do velho Chico
Corre o rio São Francisco
Enriquecido pelos afluentes
As águas correntes
Levam vida a plantação
Quando elas se levantam
E se deitam no chão.
Canta o Abaeté
Também o Jequitaí.
Canta o Paracatu
O rio carinhanha
Com orgulho banha
E acaricia a terra.
O Paraopeba e o Rio Grande
O Urucuia e o Rio Corrente
Matam a sede da gente.
E, a natureza se agita.
Mesmo em silencio ela grita
Declarando a toda terra
Este lamento de guerra.
Para que o bicho-homem
Desça da sua grandeza
E ame a natureza.

BH  Agosto/2009

Depois do temporal

Ainda tremula olhei pela vidraça,
e, vi ladeira à baixo o turbilhão de águas barrentas
levando o entulho e, até galhos de árvores,
também raízes arrancadas pela fúria do vento.
comparei aquela cena grotesca e violenta
ao vendaval da vida.
A boneca que desceu aos trancos e barrancos.
Apesar do lamento de uma criança impotente
que ficou a chorar....

Raízes arrancadas das plantações planejadas,
trabalhadas, dia após dia.
Troncos dilacerados, pedras removidas...
Invasão de água barrenta na piscina do clube.
No quarto de Maria, na sala de jantar....
Janelas quebradas, portas arrombadas,
              E o interior exposto.

 

Este vendaval tresloucado e violento
é semelhante aos vendavais da vida
que levam na enxurrada, os sonhos, os projetos
e, deixam os dejetos
como prova da desolação.

Depois...                depois....
É mais difícil pôr em ordem.
O que se fez desordem.
Em pouco tempo.....num momento.
Numa explosão .
mas, também depois do temporal
o céu se abriu,
o sol apareceu,
e a esperança se desenhou no azul,
como asas que se preparam
para enfrentar o espaço infinito, indecifrável, desconhecido.
Depois....  depois...
Sempre depois aparece um sinal
porque sempre há um sol
depois do temporal.

         

Belo Horizonte,18 de julho de 2004

Esmeralda Campelo

Estou cansada

Hoje, apesar do sol claro e lindo,
da brisa suave entre as folhas,
do sorriso maroto dos meninos na calçada.
Eu me senti cansada.
E, até pensei de forma equivocada!
Em parar, sumir, correr e desistir.
Cansada de ouvir lamentações,
pedidos repetidos de orações.
Cansada de cobranças e desconfianças.
Cansada de ser pobre,
abraçar pobre, cuidar de pobre
acreditar que pobre tem alma,
enquanto há tantos ricos, fervorosos,
abençoados, poderosos.
Para quem, ser pobre, estar apertado,
é coisa do inferno, é pecado.
Estou cansada do sincretismo,
da Bíblia marcada com folhas de arruda.
Da troca do anjo que falhou na ajuda.
Estou cansada de ver gente rolando,
pulando, gritando, sapateando
com sapatinhos de fogo.
E, cansada deste jogo.
Senti vontade de parar.
E então, quando me pus a pensar
lembrei que o diabo não para,
e, sempre se prepara.
Para roubar, matar e destruir.
E eu resolvi seguir.
Sabendo que há pranto em cada canto.
Na cidade bela,
no palácio, na favela.
Não posso desistir
se há tantos que não podem sorrir,
e, tantos que só sabem chorar...
Estou cansada de ver poderosos na tela
bailarinos no altar,
“inebriados”, “embriagados”, no templo.
E, em nenhum momento.
Souberam o que é o lamento
de quem vive na rua
sob o sol, sob a lua.
No frio e no calor,
convivendo com o òdio
sem conhecer o amor,
sem nunca ouvir dizer:
Que o amor tanto crê
tudo sofre, e espera
que o amor não se ufana
não destrói, não engana.
Estou cansada de ver
templos cheios de santos,
que têm mãos mas, não servem.
Têm pés mas, não andam.
Têm olhos mas, não vêem.
Têm ouvido mas, não ouvem.
Têm coração mas, não amam.
Têm bens mas,não repartem.
Estou cansada, mas vou continuar.
Porque a minha caminhada está perto de acabar....
E o Dono da lavoura vai voltar.

Belo Horizonte, Agosto de 2004

 
 

Lamento e Fé

Gritos, lamentações , espanto e dor ...

Vozes que se cruzam no espaço.

Lágrimas, gotas de sangue e de suor,

empurrões, balas perdidas, embaraço.

Guerra da fome ... !

da miséria , do petróleo ...

Guerra do tráfico !

Da ganância, do monopólio.

Guerra do poder,.... !

dos ricos, dos plebeus.

Guerra santa ... !

Que amedronta, em nome de Deus.

E, entre a multidão, suplicas e pranto,

desespero, aflição e desencanto.

Ressoa no espaço, além da passarela.

Explode o eco: Onde estás , Gabriela ?

Felipe ? Ademar ? Antonio ?  Luiz ?

Thais ?    Thais ?     Thais ? 

Eu era tão feliz, à luz do seu olhar.

você me fez viver, me fez sonhar.

À caminho do palco, do sucesso da vida,

o seu brilho se foi com a bala perdida,

que levou, destruiu, desmoronou meus sonhos,

apagando esses olhos risonhos.

E o botão não se abriu, e a flor não surgiu.

Um estrondo se ouviu,

e o teu corpo ficou,

em silêncio, no chão do metrô.

E no espaço, embaçado, poluído e agredido,

outras vozes de pranto, de lamento e gemido.

Apagou-se uma estrela brilhante tão bela,

Onde estás, Gabriela ?

Vou gritar ! vou lutar.

E o meu pranto será

a mensagem maior,

a noticia eficaz.

Pois o amor vencerá

e veremos a paz

porque Deus nos mostrou

a verdade e a luz

através do seu filho, Jesus.

 

Esmeralda Campelo    BH 25/08/20051>

Minha Caneta

Eu gosto de você, minha caneta.

Porque você acompanha o meu pensamento

chora comigo, expressa o meu lamento.
Você azul, vermelha ou preta,
você sabe o que eu sinto,
desliza no papel depressa ou devagar,
obedecendo a ordem do meu coração
que às vezes quer sorrir, e, às vezes quer chorar.

 

   Eu gosto de você, minha caneta,
   mesmo quando você tropeça, com pressa,
   e, mistura os meus pensamentos.
Numa palavra só você desenha
com poucos argumentos
a confusão que está dentro de mim.
Palavras que não existem,
contam coisas que são,
e, ninguém sabe ler,
só eu e, você, como um só coração.

 
Eu gosto de você  quando amanhece,
e escuto o deslizar como uma prece.
Gosto de você ao meio dia,
no corre-corre das anotações.
Gosto no entardecer do dia, ou da vida.
Você realmente é minha preferida.
Não sei digitar, não sei conectar
eu gosto mesmo é de escrever, com você.
         

 

              Não entendo porque, as vezes eu me esqueço
e, deixo você no amontoado das folhas, na gaveta.
Você, minha amada caneta,
fica às vezes, num recanto, escondida
como fazem comigo , no brinquedo da vida.
Mas, quando eu quero chorar,
quando eu quero louvar, cantar,
quando eu quero gritar,
e, proclamar o soluço da minha’lma,
você sempre me acalma..

E, até chego a pensar,
quando você se esconde, e não responde,
o meu clamor,
que não é o momento certo de registrar a dor.
Brincando, sonhando, sorrindo, chorando
vamos, você e eu unidas registrando
no painel do tempo,
letra, sílaba, palavra, pensamentos.
E, agarrada em meus dedos
você desenha uma frase
que sempre esconde segredos
e, me ajuda a pensar
a crer, e a entender
que apesar da solidão que se avizinha
eu nunca estou sozinha.
E, descobri também
que os rabiscos e os riscos,
que fizemos juntas entre risos e dores
transformaram-se em flores. 
Eu pensei! ... você marcou.... e, aconteceu
vamos assinar, você e eu.

Belo Horizonte. 15/07/2004

Esmeralda Campelo Vilela 

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